Exigência de certificado de vacinação contra a Covid impulsionou imunização em países com taxa abaixo da média

Exigência de certificado de vacinação contra a Covid impulsionou imunização em países com taxa abaixo da média
Homem exibe seus comprovantes em centro de vacinação em Colonia, na Alemanha, em foto de 23 de novembro. — Foto: Reuters/Wolfgang Rattay
Homem exibe seus comprovantes em centro de vacinação em Colonia, na Alemanha, em foto de 23 de novembro. — Foto: Reuters/Wolfgang Rattay

A exigência do certificado de vacinação para entrar em ambientes comerciais e eventos impulsionou o número de vacinados em países cuja cobertura vacinal estava abaixo da média, revelou um estudo publicado nesta segunda (13) na revista científica “The Lancet”.

Ao todo, pesquisadores do Centro de Ciências Demográficas de Leverhulme e do Centro de Ciências Pandêmicas, ambos pertencentes à Universidade de Oxford, avaliaram o impacto da introdução do certificado de vacinação em seis países (França, Israel, Itália, Suíça, Dinamarca e Alemanha) que tornaram a certificação obrigatória.

Os dados, colhidos entre abril e setembro deste ano, revelaram que a exigência de certificação levou a um aumento no número de pessoas vacinadas cerca de 20 dias antes e 40 dias após a medida entrar em vigor.

“Como os programas de vacinação em massa continuam a desempenhar um papel central na proteção da saúde pública nesta pandemia, aumentar a aceitação da vacina é crucial para proteger os indivíduos imunizados e romper as cadeias de infecção na comunidade ”, disse Melinda Mills, autora do estudo e diretora do Centro de Ciências Demográficas de Leverhulme da Universidade de Oxford.

Embora pessoas vacinadas possam se infectar e transmitir o vírus novamente, estudos atestam que o risco é menor entre esses indivíduos do que se comparado às pessoas não vacinadas.

É a primeira vez que pesquisadores se debruçam sobre o tema e avaliam a resposta das populações mediante a exigência.

Certificado impulsionou vacinação em países com taxas abaixo da média

O estudo revelou que a exigência estimulou a vacinação em países cuja cobertura vacinal estava abaixo da média, como França, Israel, Itália e Suíça.

Por outro lado, países que já tinham uma cobertura vacinal alta ou que sofriam com o fornecimento limitado de vacinas não apresentaram mudanças significativas no número de vacinados após a introdução da obrigatoriedade, como aconteceu com a Alemanha e a Dinamarca.

No caso da Dinamarca, quando o país introduziu a exigência da certificação, em abril de 2021, o fornecimento geral de vacinas ainda era limitado, apesar da alta demanda. Por isso, o aumento não foi tão expressivo.

A Alemanha, por sua vez, sempre apresentou taxas de vacinação além da média mundial e a exigência não provocou mudanças significativas.

De modo geral, o estudo mostrou que após a introdução da certificação, o aumento no número de vacinados ocorreu especialmente com o público com menos de 30 anos.

Na Suíça, quando se tornou obrigatória a apresentação do certificado para entrar em boates e grandes eventos, houve um aumento considerável entre os jovens com menos de 20 anos. Quando as restrições foram expandidas para incluir todos os ambientes de hospitalidade e lazer, a aceitação também aumentou entre pessoas de 20 a 49 anos.

Os autores acreditam que os achados possam ajudar a adoção de políticas públicas que visam encorajar a vacinação em grupos específicos.

Ainda assim, os pesquisadores afirmam que será necessário investigar também o impacto de outros fatores na vacinação, como status socioeconômico e etnia.

O que é o certificado de vacinação?

O certificado ou passaporte vacinal é um documento que comprova que a pessoa completou o esquema vacinal, ou seja, tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19.

No Brasil, as pessoas podem utilizar a carteirinha de vacinação, que é dada no posto de saúde no momento em que a pessoa toma a vacina, ou pode emitir o comprovante pelas plataformas e aplicativo do Ministério da Saúde, o ConectSUS.

Fonte: G1.

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