Inovação na prevenção do HIV: Medicamento injetável surge como alternativa promissora no Brasil

Inovação na prevenção do HIV: Medicamento injetável surge como alternativa promissora no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar o registro do medicamento Apretude (cabotegravir), disponível em duas formas farmacêuticas: comprimido e suspensão injetável. O fármaco apresenta uma nova abordagem na prevenção do contágio pelo vírus HIV, podendo ser utilizado por indivíduos com peso igual ou superior a 35 quilos.

Segundo a Anvisa, o cabotegravir é um antirretroviral que pertence à classe dos inibidores da enzima integrase. O medicamento tem como função evitar a inserção do DNA viral do HIV no DNA humano, impedindo a replicação do vírus e, consequentemente, sua capacidade de infectar novas células.

Um dos principais benefícios da forma injetável do Apretude é a redução da necessidade de se tomar um comprimido todos os dias para a prevenção do HIV. Essa é uma alternativa importante, sobretudo para pessoas que possuem dificuldade em seguir o regime da profilaxia pré-exposição (PrEP) oral e diária.

A PrEP é uma estratégia indicada para pessoas sexualmente ativas, não infectadas, mas com risco aumentado de exposição ao HIV. Até a chegada do cabotegravir, essa estratégia dependia da ingestão diária de comprimidos.

O Apretude injetável deve ser administrada a cada dois meses, enquanto a versão oral é recomendada para avaliar a tolerabilidade do paciente ao medicamento antes de partir para a versão injetável. Ela também pode ser usada como opção de PrEP para aqueles que perderam a dose programada da injeção.

O cabotegravir foi validado por meio de estudos clínicos de fase 3 realizados em sete países, incluindo o Brasil. A Anvisa aprovou a condução dos ensaios clínicos em quatro centros de pesquisa brasileiros.

Cabe destacar que, apesar de ser uma importante ferramenta no combate à transmissão do vírus, o cabotegravir não pode ser considerado uma vacina contra o HIV. Isso porque ele não ativa o sistema imunológico na produção de anticorpos para combater o vírus.

O Apretude, assim como outras formas de PrEP, só deve ser prescrito para indivíduos confirmados como HIV negativos. A Anvisa reforça a necessidade do teste de HIV antes do início do uso do medicamento e antes de cada nova injeção.

Embora o registro do Apretude já tenha sido concedido pela Anvisa, a disponibilidade do medicamento no mercado depende da aprovação do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Já a incorporação do cabotegravir pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é uma decisão que cabe ao Ministério da Saúde, necessitando inicialmente da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Este avanço, que representa uma nova frente na luta contra o HIV, evidencia o poder da ciência e da inovação na promoção da saúde e no combate a doenças que impactam a vida de tantas pessoas. A disponibilização do Apretude reafirma a importância do engajamento dos profissionais de saúde na conscientização, prevenção e orientação sobre a utilização correta de medicamentos como esse, além da relevância de nós profissionais da saúde, estarmos em constante atualização frente aos novos avanços terapêuticos. 

A luta contra o HIV é uma responsabilidade compartilhada, e cada avanço representa uma conquista coletiva. Na nossa empreitada conjunta contra o HIV, cada progresso alcançado é uma vitória que envolve a todos. Nesse contexto, a Academia Médica reafirma seu compromisso de compartilhar e divulgar os conteúdos em saúde, além de trazer as mais recentes atualizações na área.

Ao unirmos nossas forças, reconhecemos o potencial e a convicção de gerar um impacto significativo na disseminação do conhecimento em benefício de uma saúde de qualidade. Convidamos você a se juntar à Academia Médica nessa missão essencial.

Fonte: Academia Médica.

Imagem em destaque: h9images/Freepik

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