Internações evitáveis: Consequências ocultas da pandemia

Internações evitáveis: Consequências ocultas da pandemia

Uma pesquisa publicada no British Medical Journal, e divulgada pelo Center for Infectious Disease Research and Policy trouxe à luz uma preocupação latente na comunidade médica. A pandemia da COVID-19 causou uma verdadeira reviravolta no acesso aos cuidados de saúde, desafiando nossa capacidade de adaptar e repensar estratégias para garantir a continuidade do atendimento médico, sobretudo em circunstâncias tão adversas.

O estudo analizou quase 30.000 pacientes no Reino Unido e descobriu que um terço deles teve o seu acesso aos cuidados de saúde interrompido durante a pandemia. Isso resultou em um aumento de 80% no risco de internações hospitalares que poderiam ter sido evitadas. Dificuldades em agendar consultas, atrasos em procedimentos programados e obstáculos para obtenção de medicamentos foram algumas das interrupções identificadas.

Foi evidenciado que aqueles que enfrentaram essas interrupções, geralmente, estavam numa faixa etária mais elevada, apresentavam condições de saúde mais delicadas e moravam em regiões mais desfavorecidas. Estes dados salientam as desigualdades que persistem na nossa sociedade e os desafios que precisamos superar para assegurar um acesso equitativo à saúde para todos.

A complexidade de proporcionar um atendimento médico constante durante uma pandemia foi destacada, especialmente no que diz respeito a tratamentos e cirurgias que são difíceis de administrar com segurança. Por outro lado, consultas remotas e acesso a medicamentos mostraram-se alternativas viáveis, o que ressalta a relevância da telemedicina e da digitalização no setor da saúde.

Este estudo aponta para uma necessidade de ação que vai além da comunidade médica e envolve todos os stakeholders no setor da saúde. É preciso uma união de esforços para minimizar interrupções no atendimento aos pacientes, com um foco especial nos mais vulneráveis, além da exploração de novas estratégias além do modelo convencional de atendimento.

As conclusões instigam a comunidade médica e ao setor de saúde em sua totalidade, a buscar uma gama mais ampla de ferramentas e a elaborar estratégias robustas que assegurem a continuidade do cuidado aos pacientes, mesmo em circunstâncias adversas. Trata-se de um compromisso que extrapola nossa atuação individual, configurando-se como um dever coletivo na defesa da saúde e da vida.

Inspirados por esses resultados, somos convidados a uma reflexão sobre os métodos de garantia da continuidade do atendimento aos pacientes com qualidade, e sua segurança, independentemente das dificuldades que possamos encontrar.  A saúde é um direito fundamental e garantir esse direito é uma responsabilidade.

O assunto é um chamado à reflexão sobre a intrincada natureza do sistema de saúde, sublinhando a necessidade de táticas resilientes e sustentáveis aptas a enfrentar as vicissitudes atuais e futuras. Nos propõe um convite à troca de ideias e à procura de soluções que possam reforçar nossa missão e fomentar a justiça em saúde, assegurando que cada indivíduo tenha acesso justo e propício ao cuidado de que precisa.

Fonte: Academia Médica.

Imagem em destaque: Academia Médica.

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