Mudanças na imunização contra a poliomielite

Mudanças na imunização contra a poliomielite

O mundo da medicina está sempre em movimento, e o campo da imunologia não é exceção. Com avanços significativos e uma compreensão mais profunda das doenças, as estratégias de prevenção evoluem. Recentemente, no Brasil, uma mudança significativa foi anunciada no cenário da vacinação contra a poliomielite.

O Ministério da Saúde, aconselhado pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), tomou a decisão de aposentar a icônica vacina oral contra a poliomielite (VOP) – conhecida como “gotinha” – em favor da vacina inativada (VIP), administrada intramuscularmente. Essa transição é reflexo das crescentes evidências científicas que destacam a superioridade da VIP em termos de segurança e eficácia.

A poliomielite, tragicamente famosa por suas consequências paralisantes e até fatais, tem sido uma grande preocupação global. Desde 1988, a batalha contra a doença foi intensificada com o uso da VOP, principalmente devido à sua facilidade de administração e custo reduzido. E, sem dúvida, a vacina oral desempenhou um papel fundamental na erradicação quase completa da pólio em muitos continentes.

No entanto, pesquisas a partir dos anos 2000 trouxeram à tona algumas preocupações com a VOP. A vacina oral, contendo o poliovírus atenuado, apresenta um risco extremamente raro, mas existente, de causar pólio vacinal. Ainda mais, há o risco do poliovírus atenuado sofrer mutações e retornar a uma forma neurovirulenta. Em contraste, a VIP, contendo o vírus inativado, elimina esses riscos.

A adoção da VIP não é única ao Brasil. Muitos países, reconhecendo os benefícios e a segurança superior da vacina intramuscular, estão fazendo essa transição, alinhados com a meta da Organização Mundial da Saúde de substituir globalmente a VOP pela VIP até 2030.

Para nós, profissionais de saúde, é vital estarmos cientes destes avanços e apoiarmos essa transição. Enquanto houver um único caso de poliomielite no mundo, a ameaça persiste, tornando a vacinação crucial. A transição para a VIP é um passo fundamental nesta luta, garantindo uma imunização mais segura, eficaz e duradoura contra a poliomielite.

Em tempos de crescentes movimentos antivacinistas e hesitação vacinal, reafirmar a importância da vacinação é nosso dever. Seja na linha de frente, atendendo pacientes, ou em discussões acadêmicas, devemos estar a frente das atualizações e promover uma cultura de vacinação robusta.

“Juntos, podemos proteger as futuras gerações da ameaça da poliomielite e continuar a marchar rumo à sua erradicação total.” 😉

Fonte: Academia Médica.

*Imagem em destaque: Academia Médica

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